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O texto transcrito abaixo foi retirado da nossa apostila de ITIL V2, que é distribuída na assinatura do curso e-learning de Fundamentos na ITIL V2. Para ter acesso ao material completo, assine o nosso curso e-learning.
Por muitos anos, algumas
organizações puderam continuar seus negócios, ainda que tivessem pouco apoio da
TI. Hoje a realidade é diferente: a Tecnologia da Informação é um fator crítico
de sucesso para a organização, e em até muitos casos acaba sendo seu
diferencial competitivo no mercado. Existem determinados ramos de negócio que são
quase impossíveis de serem imaginados hoje sem o apoio da TI, como por exemplo
o sistema bancário. Seria impossível tentar controlar as contas dos clientes
sem o apoio de um sistema de banco de dados. É difícil você encontrar hoje um
ramo de negócio que não utilize serviços de TI em nenhum processo.
Hoje para muitas empresas a TI se
tornou um parceiro estratégico. Ela faz parte do negócio. Atualmente as
decisões sobre os investimentos em TI são tratadas nas reuniões de planejamento
estratégico pelo conselho administrativo da empresa - não é mais possível tratar
a TI isoladamente. A TI deixou de ser tratada por técnicos e passou a ser
incorporada na estratégia da empresa para alcançar seus objetivos. Pelo menos,
deveria ser assim em organizações que enxergam a TI como essencial para o
negócio.
Com o aumento do peso de
importância dentro da organização, a TI passou a ter vários desafios. Vejamos alguns:
- Alinhamento
dos serviços de TI com as necessidades atuais e futuras do negócio. A
TI precisa começar a entender de negócios para poder participar junto do plano
estratégico da empresa. As decisões de investimentos de TI devem levar em
conta os objetivos da organização a longo prazo. Os esforços nos
investimentos em tecnologia devem ser orientados a trazer resultados para
os negócios da organização. O plano de TI precisa refletir as metas do
negócio.
- Ambientes de
TI cada vez mais complexos. O número de tecnologias e fornecedores
aumentou, fazendo com que a vida do gerente de TI se complicasse mais
ainda. Se no passado todos os sistemas de TI se reuniam em apenas um único
mainframe, hoje há vários servidores, várias plataformas tecnológicas. Em
muitas organizações a área de TI passou por terceirizações, preocupando-se
em gerir contratos, entender as demandas dos clientes e usuários e manter
o relacionamento com fornecedores. As organizações também expandiram seus
negócios: possuem unidades no Brasil e em diversos países, e para cada
unidade a área de TI deve prover suporte.
- Dependência da TI para o negócio. A dependência tão grande sobre os serviços de TI também fez com que a organização
a desse maior atenção. Chegamos a um ponto em que se os serviços de TI
pararem, todas as outras operações do negócio também param. Os serviços de
TI devem buscar arranjos, fórmulas para manter sua disponibilidade máxima
com o melhor custo, trazendo o menor prejuízo para o negócio em suas
paradas.
- Redução de
custos e riscos. Devido à grande dependência da TI para o negócio e
também aos altos investimentos feitos nos projetos, a administração tem
buscado minimizar os custos através de uma melhor gestão por projetos,
tratando também os riscos relacionados a novas mudanças. Além disto, a
cada ano que passa os orçamentos estão cada vez mais apertados - é preciso
buscar formas para reduzir custos.
- Justificativa
para retorno sobre os investimentos
em TI. De
alguma forma o investimento em TI precisa ser
justificado. É preciso demonstrar o ROI (Retorno de Investimento), ou
seja, o que a organização vai ganhar ao fazer determinado investimento
em TI. O
pessoal de TI têm
tido muita dificuldade de fazer estas justificativas de ROI, justamente
pelo fato de que a maioria do pessoal de TI é muito técnico e não entende
nada do negócio.
- Conformidade
com leis e regulamentos. Instituições financeiras e empresas com ações
em bolsas internacionais são agora obrigadas a cumprir regulamentos
impostos pelo governo e outras entidades, como por exemplo a Lei
Sarbanes-Oxley. A TI está totalmente relacionada ao cumprimento destas
leis, buscando adequação dos seus sistemas e processos para atender aos
requisitos impostos.
- Manter a
segurança sobre as informações. A necessidade por informação em
qualquer lugar fez com que os sistemas e bancos dados fossem expostos à
vulnerabilidade de ataques de hacker e vírus. A segurança é um ponto de
grande relevância para os gestores de TI - a organização não pode correr o
risco de perder suas informações, pois isto pode trazer prejuízos
financeiros e até mesmo prejudicar a reputação da empresa no mercado.
Em virtude
deste cenário onde a TI aparece com grande importância para o negócio da
empresa, buscando por otimização de seus processos e redução de custos e
riscos, várias frameworks de processos e melhores práticas foram criados. A
figura abaixo mostra a evolução destas frameworks e seus níveis de maturidade
em termos de Gerenciamento
de Serviços.
A ITIL (IT
Infrastructure Library), que é uma biblioteca composta das boas práticas para Gerenciamento
de Serviços de TI, é hoje o modelo mais utilizado quando se trata de suporte e
entrega de serviços de TI. Criada pelo governo britânico em 1980, tornou-se
padrão de fato no mercado a partir de
1990. A
ITIL na versão 2 é composta de 7 livros
principais. Já na ITIL V3, os livros foram todos reescritos e o conteúdo
disponibilizado em 5 livros principais. A ITIL não se trata de uma metodologia
e sim de um conjunto de boas práticas adotadas em várias organizações.
Atualmente é a framework (framework poderia ser traduzida como “estrutura de
processos”) mais adequada para o gerenciamento de serviços para os
departamentos de TI, sendo utilizada por mais de 10.000 empresas no mundo todo.
Podemos
tratar a ITIL apenas como um consenso de como devem ser tratados os processos
dentro de área de TI. Os processos propostos são genéricos, podendo ser
utilizados por qualquer organização, seja pública ou privada, de grande ou
pequeno porte. Estes processos devem ser adotados e adaptados ao seu negócio
- tenha em mente que não existe receita pronta. A ITIL é um modelo de processos
e não representa os próprios processos com o passo-a-passo para implementar na
organização. Pelo fato de ser um modelo, a ITIL serve como inspiração para
definir e melhorar processos de Gerenciamento de Serviços de TI.
Não é correto afirmar que um
determinado processo na organização é “compatível
com a ITIL”, nem mesmo dizer que “vamos implantar a ITIL”. Ninguém implanta
livros!!!!! O objetivo é implementar o Gerenciamento de Serviços de TI, e para
isto a ITIL pode ser utilizada como base das boas práticas do mercado.
Os processos e organizações podem
ser avaliados se estão compatíveis com as normas BS 15.000 ou ISO/IEC 20.000
(criada em dezembro de 2005), que são padrões de Gerenciamento de Serviços de
TI. Entretanto, nem ferramentas ou pessoas podem ser certificadas em BSs ou
ISOs. A ISO 20.000 é voltada para organizações prestadoras de serviços de TI e tem
como foco avaliar a conformidade dos processos da empresa com as práticas
sugeridas. O padrão ISO substitui o padrão BS 15.000. No Brasil já existem
algumas empresas certificadas na ISO/IEC 20.000, e acredita-se que esta
certificação vai se tornar uma tendência para selecionar fornecedores no
mercado.
A EXIN também disponibiliza hoje
uma certificação para profissionais que conhecem a norma ISO/IEC 20.000, que é
a certificação ISO 20.000 Foundation. A TIEXAMES disponibiliza um curso de
interpretação desta norma que ajudará você a se preparar para o exame de
certificação. Como esta norma é baseada na ITIL, o profissional que já for
certificado
em ITIL
Foundation
poderá facilmente também conquistar a certificação
ISO 20.000 Foundation.
A ITIL foi desenvolvida
inicialmente pela CCTA (Central Computing and Telecommunications Agency) e
agora está sob o domínio do OGC (Office of Government Commerce). O OGC é o
ministério de comércio do Reino Unido e é o proprietário da ITIL. A biblioteca
da ITIL foi desenvolvida pela CCTA, e tinha como objetivo melhorar os processos
dos departamentos de TI do governo britânico. Desde o seu surgimento em 1980,
as empresas e outras entidades do governo perceberam que as práticas sugeridas
poderiam ser aplicadas também em seus processos de TI. Em
1990 a
ITIL acabou se
tornando um padrão de fato em todo o mundo, e a partir dela houve várias
adaptações de outros fornecedores, como a Microsoft, IBM e HP. A Microsoft
oferece hoje o MOF, que é um modelo que foi baseado na ITIL.
A ITIL atualmente desperta grande
interesse no mercado pois há uma preocupação com o Gerenciamento de Serviços de
TI nas empresas. Como falamos anteriormente, a grande dependência da TI para os
negócios faz com que os gestores de TI busquem a adoção das melhores práticas
com o objetivo de trazer resultados positivos, como redução de custos e
agilidade em seus processos.
Mais de 10.000 empresas no mundo
todo já adotaram as melhores práticas da ITIL. Isto comprova sua maturidade e
aceitação pelo mercado. O Brasil e os EUA estão na fase inicial de
implementação destas práticas, mas muitas empresas aqui já as adotaram e já
temos vários casos de sucesso.
A ITIL oferece uma estrutura de
processos para manter uma infra-estrutura de TI. Cada um destes processos cobre
uma ou mais tarefas do provedor de TI, tais como desenvolvimento de serviços,
gerenciamento da infra-estrutura, fornecimento de serviços e suporte a
serviços.
Estes processos propiciam o uso
das boas práticas, fazendo com que o provedor de TI possa adotá-las independente
da estrutura da organização.
As boas práticas da ITIL têm como
objetivos:
- Servir de inspiração para melhorar seus processos
de TI
- Sugerir onde é possível chegar, pois outras
empresas já conseguiram resultados positivos
- Sugerir para que servem os processos e práticas
- Sugerir por que adotar os processos e práticas
Muitas destas boas práticas são
claramente identificáveis, e na verdade são utilizadas na maioria das
organizações de TI. Talvez muitos dos conceitos que você vai ver aqui você já
utiliza ou conheça.
A ITIL apresenta as boas práticas
de forma coesa. Os livros da ITIL V2 descrevem como estas práticas podem ser
otimizadas e como a coordenação das atividades pode ser aperfeiçoada. Os livros
também explicam como os processos podem ser formalizados dentro de uma
organização, fornecem uma referência dentro da organização para uma
terminologia padronizada, ajudam a definir os objetivos e a determinar o
esforço requerido.
A ITIL não pode ser vista como
uma metodologia, pois as práticas sugeridas são flexíveis a ponto de você adaptá-las
aos seus processos. Já uma metodologia possui uma implementação mais rígida,
com regras bem definidas. “Na ITIL tudo pode,
nada deve.”
A vantagem da adoção das boas
práticas está no fato de você não ter que “reinventar a roda”. Adotar práticas
já testadas propicia um ganho de tempo e retorno mais rápido sobre o projeto de
implementação de um Gerenciamento de Serviços.
A figura abaixo apresenta as
organizações que estão envolvidas na manutenção e disseminação da ITIL:
A ITIL era originalmente um
produto da CCTA. A CCTA era a Agência de
Processamento de Dados e Telecomunicações do governo britânico. No dia 1 abril
de
2001, a
CCTA foi fundida com o OGC (Office of Government Commerce), que é agora o novo
"proprietário" da ITIL. O OGC busca modernizar a forma de procurement
(licitações) no governo, e agregar valor substancial para o uso do dinheiro
público. O OGC promove o uso das melhores práticas em muitas áreas (por
exemplo, gestão de projetos, procurement e Gerenciamento de Serviços de TI). O
OGC publica diversas séries (bibliotecas) dos livros escritos por especialistas
britânicos e outros internacionais de várias empresas.
A biblioteca consiste em um
número claro de “Código de Práticas” para promover e fornecer serviços de TI de
forma eficiente e eficaz.
O Fórum de Gerenciamento de
Serviços de Tecnologia da Informação (itSMF) originalmente ficou conhecido como
Fórum do Gerenciamento da Infra-estrutura de TI (itIMF) e foi criado no Reino Unido
em 1991. O OGC não tem objetivos comerciais com a ITIL, e também não tinha
interesse em ficar divulgando as práticas da ITIL mundo afora. Por isto
repassou esta missão para o itSMF. O itSMF holandês foi o primeiro chapter
(capítulo), criado em novembro de 1993. Em 2001 mais de 500 empresas tornaram-se
membros, entre fornecedores e grupos de usuários. Atualmente existem chapters
do itSMF em vários países, tais como África do Sul, Bélgica, Alemanha, Áustria,
Suíça, EUA, Austrália e Brasil, que participam no grupo internacional do itSMF.
O itSMF promove a troca de informações e experiências que permitem
às organizações melhorarem os serviços que fornecem. Organiza congressos,
encontros especiais e outros eventos sobre assuntos ligados a Gerenciamento de
Serviços de TI.
Os associados contribuem também com o desenvolvimento do
assunto. A associação publica um boletim de notícias e fornece um website com
informações sobre suas atividades (http://www.itsmf.com.br).
O capítulo brasileiro do itSMF, como é chamada uma
representação em um país, está estabelecido
em São Paulo. Existem
em alguns estados extensões do itSMF para disseminar as práticas na região - estas
são conhecidas como Grupos de Interesse Local, abreviados de LIGs. No website
do itSMF você poderá verificar se existe um LIG na sua região.
Da mesma forma que o OGC não
tinha interesse em ficar divulgando as práticas da ITIL, ele resolveu fazer uma
licitação para que outras organizações se responsabilizassem pelas
certificações profissionais e treinamentos credenciados. O EXIN e a ISEB
venceram esta licitação no passado. O Examination Institute for Information
Science (EXIN) e a Information Systems Examinations Board (ISEB) juntos
desenvolveram uma certificação profissional para a ITIL V2. Isto foi feito em
cooperação com o itSMF. O EXIN e a ISEB são organizações sem fins lucrativos
que cooperam para oferecer uma escala de qualificação ITIL V2 em três níveis:
- Certificado Foundation
em
Gerenciamento de Serviços
de TI
- Certificado Practitioner
em
Gerenciamento de Serviços
de TI
- Certificado Manager
em
Gerenciamento de Serviços
de TI
O sistema de certificação é
baseado nas exigências para cumprir o papel relevante dentro de uma organização
de TI. Até agora os certificados foram concedidos para mais 600.000
profissionais de TI em mais de 30 países.
Na ITIL V3 o esquema de
certificação foi atualizado e existem mais opções de treinamento. Para mais
informações sobre o novo esquema, consulte o site da TIEXAMES.
APMG
Com o lançamento da ITIL V3, o OGC abriu uma nova
concorrência para empresas que estivessem interessadas em assumir o controle de
treinamentos e certificações na nova versão da ITIL. Nesta nova concorrência,
quem ganhou foi outra organização: o APMG. Agora o APMG está envolvida no novo
esquema de certificação da ITIL V3, e o EXIN e a ISEB apenas fazem a
distribuição dos novos exames.
Certificações para os profissionais de TI na
ITIL V2
Para
obter a certificação Foundation não é necessário participar de um curso
oficial, nem mesmo comprovar experiência na área. É importante que o candidato
já atue na área de serviços de TI - isto facilita os estudos. Com o apoio de livros
e simulados é possível obter a certificação de maneira fácil. A prova é
composta de 40 questões, sendo que é necessário obter um acerto de 65% (26
questões apenas). As questões são objetivas e de múltipla escolha. As provas
podem ser feitas em qualquer lugar do Brasil através de centros de testes VUE (www.vue.com) ou PROMETRIC (www.prometric.com). As provas eletrônicas
estão disponíveis nos idiomas inglês, espanhol e português e custam US$ 160,00.
Na
certificação Practitioner o candidato deve realizar um curso oficial
reconhecido pelo EXIN ou pela ISEB. Este curso será focado em 2 ou 3 processos
da ITIL, dando ao aluno um conhecimento mais profundo sobre os processos
estudados. É ideal para as pessoas que vão trabalhar na parte operacional do
projeto de implementação da Gestão de Serviços de TI. O curso normalmente tem a
duração de 3 dias e a avaliação do candidato acaba sendo feita durante o próprio
treinamento. É pré-requisito já possuir a certificação Foundation para este
nível.
A
certificação Manager é voltada para os gestores de TI que terão uma visão ampla
e aprofundada de todos os processos da ITIL. Para realizar esta certificação
também é necessário um curso oficial, e é pré-requisito ter a certificação
Foundation - mas não é necessário realizar a Practitioner. A formação Manager
requer um bom investimento, pois o curso tem duração de duas semanas, além de
workshops de preparação. O exame é composto de duas provas realizadas em 2
dias. Cada exame foca um livro da ITIL. Esta certificação também é muito
indicada para quem busca desenvolver carreira na área de consultoria.
Para mais
informações sobre os exames de certificação consulte o website www.exin-exams.com
Aqui nesta apostila não iremos apresentar o esquema de certificação da
ITIL V3. É importante comentar que as certificações na ITIL V2 serão oferecidas
enquanto houver demanda de mercado.
Para conhecer o novo esquema de certificação da ITIL V3
consulte o link abaixo no nosso site:
http://www.tiexames.com.br/ITIL3_esquema_certificacao.php
A ITIL V2 é uma série de livros. Assim
como o nome já sugere, é uma biblioteca (IT Infrastructure Library). Esta seção
descreverá os vários componentes da biblioteca na versão anterior. Os livros
oficiais do OGC estão disponíveis para compra em algumas livrarias. Para
comprar estes livros, consulte o site www.itsmf.com.br.
A utilização destas práticas na sua empresa é de domínio público, entretanto
todo o material da ITIL possui direitos de cópia da coroa inglesa.
Cada um dos livros da ITIL faz
parte da framework completa da ITIL. A ITIL na verdade é uma biblioteca de
muitos livros. Esta apostila é focada na entrega do serviço e nos livros de
Suporte a Serviços e Entrega de Serviços. Nós descrevemos a ITIL conforme estes
dois livros durante toda a apostila.
A ITIL define os objetivos e atividades,
as entradas e saídas de cada um dos processos encontrados em uma organização de
TI. Entretanto, a ITIL não dá uma descrição específica de como estas atividades
devem ser executadas, pois em cada organização estas são diferentes, ou seja,
não existe receita pronta. A ênfase está em sugestões que foram provadas na
prática, mas que dependendo das circunstâncias podem ser implementada de várias
formas. A ITIL não oferece um método de
implementação, ao invés disto oferece uma framework para planejar os processos
mais comuns, papéis e atividades, indicando as ligações entre elas e que linhas
de comunicação são necessárias.
A ITIL é baseada na necessidade de
fornecer serviços de alta qualidade, com ênfase no serviço e no relacionamento
com o cliente. A organização tem que cumprir exigências do cliente, o que
significa um bom relacionamento com ele, com os parceiros e com os
fornecedores.
Parte da filosofia da ITIL é
baseada nos sistemas de qualidade, tais como a série ISO-
9000. A
ITIL suporta tais
sistemas de qualidade com uma descrição clara dos processos e das melhores
práticas
em
Gerenciamento de Serviços
de TI. Isto pode significativamente
reduzir o tempo necessário para obter a certificação ISO.
Originalmente, a ITIL V1 era consistida
por um grande conjunto de livros. Cada um deles descrevia uma área específica
de manutenção e operação da infra-estrutura de TI. Os dez livros que descreviam
o Suporte de Serviços e Entrega de Serviços eram considerados o núcleo da ITIL
V2. Havia aproximadamente outros 40 livros nos assuntos complementares
relacionados ao Gerenciamento de Serviços de TI, desde mandar um telegrama ao
cliente a relacionar-se com ele. Entretanto, a série original dos
livros da biblioteca de infra-estrutura focou-se mais no Gerenciamento de Serviços
de TI a partir da perspectiva de TI.
O conjunto de Perspectiva de Negócio
foi introduzido para construir uma ponte entre o negócio e a organização de TI.
O núcleo dos livros da ITIL V2 foi
revisado e publicado apenas como dois livros: Suporte a Serviços e Entrega de
Serviços. Isto eliminou sobreposições e inconsistências da série anterior.
O quebra-cabeça da ITIL V2 mostra os
principais elementos localizados nos seus livros. Cada um destes elementos se
relaciona entre si, e se sobrepõem em alguns tópicos.
Os 7 livros principais da ITIL V2 são:
·
Perspectiva de Negócio
·
Entrega de Serviço
·
Suporte a Serviço
·
Gerenciamento da Segurança
·
Gerenciamento da Infra-estrutura
·
Gerenciamento de Aplicações
·
Planejamento da Implementação do Gerenciamento de
Serviços
Fonte: livro Service Support do OGC
Estes 7
módulos constituem o corpo da ITIL V2. Abaixo você terá uma descrição resumida
do propósito de cada livro:
Suporte a Serviços: descreve os processos associados ao suporte do dia-a-dia
e atividades de manutenção associadas com a provisão de serviços de TI.
Entrega de Serviços: cobre os processos necessários para o planejamento e
entrega de serviços de TI com qualidade, e se preocupa ao longo do tempo com o
aperfeiçoamento desta qualidade.
ICT - Gerenciamento da Infra-estrutura: cobre todos os aspectos do Gerenciamento da
Infra-estrutura como a identificação dos requisitos do negócio, testes,
instalação, entrega e otimização das operações normais dos componentes que
fazem parte dos serviços de TI.
Planejamento para Implementação do
Gerenciamento de Serviços: examina
questões e tarefas envolvidas no planejamento, implementação e aperfeiçoamento
dos processos do Gerenciamento de Serviços dentro de uma organização. Também
foca questões relacionadas à cultura e mudança organizacional.
Gerenciamento de Aplicações: descreve como gerenciar as aplicações a partir das
necessidades iniciais dos negócios, passando por todos os estágios do ciclo de
vida de uma aplicação, incluindo sua saída do ambiente de produção (quando o
sistema é aposentado). Este processo dá ênfase a assegurar que os projetos de
TI e as estratégias estejam corretamente alinhados com o ciclo de vida da
aplicação, assegurando que o negócio consiga obter o retorno do valor
investido.
Perspectiva de Negócio: fornece um conselho e guia para ajudar o pessoal de TI a entender
como eles podem contribuir para os objetivos do negócio e como suas funções e
serviços podem estar mais bem alinhados e aproveitados para maximizar sua contribuição
para a organização.
Gerenciamento da Segurança: detalha o processo de planejamento e gerenciamento em um
nível mais detalhado da segurança da informação e serviços de TI, incluindo
todos os aspectos associados com a reação da segurança dos incidentes. Também
inclui uma avaliação e gerenciamento dos riscos e vulnerabilidade, e implementação
de custos justificáveis para a implementação de contra-recursos (estratégia de
segurança).
Esta
apostila irá descrever apenas os dois livros principais da ITIL: Suporte a
Serviços e Entrega de Serviços, considerados o coração da framework.
Suporte a Serviços
O livro Suporte a Serviços descreve como um cliente
consegue acesso aos serviços para suportar seus negócios.
Este
livro cobre os seguintes assuntos:
- Central de Serviços
- Gerenciamento de Incidentes
- Gerenciamento de Problemas
- Gerenciamento da Configuração
- Gerenciamento de Mudanças
- Gerenciamento de Liberação
A figura abaixo apresenta o
relacionamento entre os processos do livro Suporte a Serviços.
Entrega de Serviços
O livro
Entrega de Serviços descreve os serviços que o cliente necessita, e o que é
necessário para fornecer estes serviços.
Este
livro cobre os seguintes assuntos:
- Gerenciamento do Nível de Serviços
- Gerenciamento Financeiro para Serviços de TI
- Gerenciamento da Capacidade
- Gerenciamento da Disponibilidade
- Gerenciamento da Continuidade dos Serviços de TI
- Gerenciamento da Segurança (com referência ao livro
Gerenciamento da Segurança)
A figura abaixo apresenta o
relacionamento entre os processos do livro Entrega de Serviços.
A framework da ITIL V2 é um conjunto de livros com alguns
problemas de consistência – não há uma conexão bem elaborada entre os processos
pelo fato de os livros terem sido escritos em momentos diferentes. A ITIL foca
basicamente a eficiência e eficácia dos serviços
em produção. O
grande público de TI lia apenas os
dois livros principais: Suporte ao Serviço e Entrega do Serviço. Mas somente
pensar nisto não bastava. Pois se você não planeja, se não antecipa as
demandas, você vai ter uma TI muito reativa. Foram vários os motivadores para
que os livros fossem reescritos e uma nova versão da ITIL fosse lançada.
Então, em meados de 2007 foi lançado a ITIL V3. A estrutura
passou de 7 para 5 livros principais. Agora os livros da nova versão fazem
parte do ciclo de vida do serviço. Esta é a grande mudança estrutural na ITIL
V3.
A abordagem do ciclo de vida do serviço é algo novo para a
TI, mas não é algo novo em outras áreas do negócio. Temos que entender que um
serviço nasce, se desenvolve, vai para a operação e um dia ele morre ou é
aposentado, e é necessário gerenciar o serviço não só durante a sua fase
adulta, mas sim desde a sua fase embrionária para que gere valor para o
negócio.
Conheça abaixo as capa dos livros principais.
O ciclo de vida do serviço tem um eixo central, que é a
estratégia do serviço – é também a fase inicial deste ciclo. Esta estratégia
vai guiar todas as outras fases: Desenho de Serviço, seguida da Transição de
Serviço e Operação de Serviço. E envolvendo todas as fases do ciclo de vida vem
a Melhoria de Serviço Continuada. Processos e funções agora estão distribuídos
ao longo do ciclo de vida.
A fase de Estratégia de Serviço é a grande sacada na ITIL
V3. É aqui que a TI vai se integrar com o negócio. Nós já estamos acostumados a
ver a TI como sendo apenas um departamento de tecnologia que é comunicado sobre
as decisões da empresa. E quando o comunicado chega a TI tem que se virar para
atender às demandas - e aí começam os conflitos: falta de recursos e falta de
tempo. Nesta fase de estratégia a TI tem que buscar entender quais são as
demandas dos seus clientes, identificar oportunidades e riscos, decidir por
terceirizar ou não determinados serviços e pensar no retorno para o negócio.
Nesta fase a TI vai gerenciar o seu portfolio de serviço, e este portfolio vai
conter o pipeline, o funil de serviços que é um termo que o pessoal de vendas
conhece muito bem. Todos nós sabemos que a TI sempre tem mais demanda que a sua
capacidade, só que ela vai ter que priorizar o que vai desenvolver. Nem toda
demanda vira serviço, por isto ela precisa fazer a gestão do seu portfolio. Com
a Estratégia de Serviço da ITIL V3 é possível agora ter a visão da razão de se ter
um serviço no portfolio.
Na fase do Desenho de Serviço tudo que foi levantado na
Estratégia de Serviço será usado para projetar um novo serviço: custos, mercado
e como o serviço será utilizado. O serviço vai ser definido com base nesta
estratégia, já pensando no valor que ele vai gerar para os clientes. Se todas
as informações forem levantadas já durante a fase de estratégia, a TI
conseguirá projetar o serviço conforme esperado. Nesta fase já se deve pensar
em qual será o SLA (Acordo de Nível de Serviço), quais os riscos envolvidos e
os fornecedores necessários, e qual a capacidade da infra-estrutura para
suportar o serviço.
A próxima fase é a Transição de Serviço. Então se na fase
anterior empacotam-se todas as informações do desenho para colocar o serviço em
operação, nesta fase o foco é no Gerenciamento de Mudança. Ela se preocupará
com todos os detalhes para que o serviço seja colocado em produção com o menor
impacto possível para a organização.
A outra fase é a Operação de Serviço: é só manter o serviço,
é o dia-a-dia. Basicamente os processos de suporte do livro da V2 estão aqui
nesta fase. Então aqui vem o gerenciamento de incidentes, problemas e
solicitações. Também as funções de TI foram incluídas aqui, como Service Desk (Central
de Serviços), manutenção de data centers, instalações técnicas e aplicações.
E envolvendo todas as fases do ciclo de vida vem a Melhoria
de Serviço Continuada, que tem um foco na qualidade, avaliando tanto o serviço
como os processos de gerenciamento das fases. Outro foco é que um serviço que
foi entregue não é estático: ele pode ser bom hoje, mas amanhã não mais, pois a
demanda do usuário vai aumentando. Então esta fase vai procurar avaliar os
serviços, vai procurar obter o feedback, e nada impede que este ciclo de vida
do serviço gire várias vezes - pois pode ser necessário repensar a estratégia
do serviço.
Como vocês podem perceber, se a TI executar todas as fases
ao criar um novo serviço ou alterar um serviço existente, ela vai errar menos.
Se os serviços forem desenhados conforme os requisitos dos clientes e projetados
devidamente, o pessoal de produção irá ter menos estresse para manter o
serviço. Em resumo, teremos menos re-trabalho e maior controle sobre os custos.
O conteúdo que estamos apresentando nesta apostila é baseado
na ITIL V2, e este ainda se aplica às organizações. Os processos de suporte e
entrega da versão anterior praticamente são os mesmos na nova estrutura de
livros. O mercado vai continuar adotando a ITIL V2 por um bom tempo. Muitas
organizações estão preferindo iniciar seus projetos de ITIL na versão 2 e
depois evoluir para a versão 3, pelo fato de acharem que a versão anterior está
mais simples. Por isto, tudo o que você vai aprender aqui nesta apostila será
de grande valia. Se você tiver interesse em conhecer mais a ITIL V3, faça o
nosso curso e-learning de migração. Ao fazer o nosso curso de migração você
estará habilitado para prestar o novo exame ITIL V3 Foundation.
Como visto no capítulo Introdução
ao Cenário, a área de TI tem ganhado grande importância dentro do negócio e tem
servido como meio para alcançar os objetivos da organização. Em virtude da
necessidade de um Gerenciamento de Serviço de TI mais robusto, a biblioteca da
ITIL tem ganhado destaque no mercado, servindo como apoio para melhorar os processos
de TI.
Entre os principais objetivos da
adoção da melhores práticas da ITIL podemos destacar os seguintes:
- Alinhar os serviços de TI com as necessidades
atuais e futuras do negócio e seus clientes. Todos os processos da
ITIL falam que a TI precisa entender os requisitos de negócio da empresa
para poder planejar e prover seus serviços para atender expectativas.
- Melhorar a qualidade dos serviços de TI.
Através de um programa de melhoria contínua, deve-se buscar a consistência
na entrega dos serviços atendendo às necessidades de negócio.
- Reduzir custos na provisão de serviços. Este
é um dos motivos-chave que levam os gestores de TI a adotarem as melhores
práticas. Já existem vários casos de sucesso onde houve grande redução dos
custos operacionais e investimentos em TI.
- Processos mais eficientes e eficazes, buscando rapidez e resultados nos
processos.
- Adoção das boas práticas, evitando reinventar a roda.
- Falhas: ò30% quantidade, ò50%
tempo de resolução
- Mudanças: ò25% tempo de conclusão, ò50%
mudanças urgentes e caras
- Capacidade: ò15% capacidade ociosa
- CTP (TCO): ò10%
- Disponibilidade: ñ10%
- ñConfiabilidade
- òTempo
de lançamento no mercado
Fonte:
ITIL Forum 2003
Abaixo temos alguns exemplos de
resultados alcançados em algumas empresas e setores de TI que foram
pesquisados.
- Redução do custo total até 48% - Gartner
- 6-8% de redução de custos operacionais, $ 125
milhões de economia (10% do budget) - Procter e Gamble
- Aumento da satisfação do cliente
- Aumento de resolução de incidentes de 5% para 30%
com o uso de uma base de conhecimento - IS Organizations
- Redução de 50% no tempo médio de resolução, redução
de 30% no tempo para realizar novas mudanças, redução de 50% dos recursos - Utility Provider
Um projeto de implementação dos
processos da ITIL pode ter vários problemas. É importante que você esteja ciente e busque
contornar alguns obstáculos já conhecidos:
- Falta de patrocínio, comprometimento e
entendimento. É importante que
todas as pessoas relacionadas com o projeto estejam conscientes das
melhorias que a mudança poderá trazer. O comprometimento de todos é
fundamental para fazer com que os processos sejam implementados. É
necessário que este projeto tenha um patrocinador com poder dentro da
organização. Mudar a cultura da organização e alterar a forma de trabalho
das pessoas exige sempre que alguém com maior influência na organização
apóie estas mudanças.
- Cultura da empresa. Se a organização não tiver cultura para a gestão de serviços,
torna-se muito complicado a TI obter a colaboração dos demais
departamentos. Foco no cliente e busca por serviços de qualidade é
primordial para sustentar um projeto de ITIL.
- Excesso de expectativa. Tenha em mente que a adoção das
melhores práticas não se faz em dias. É necessário planejamento,
insistência, acompanhamento e adaptações ao longo do projeto.
- Problemas na gestão do projeto. A implementação de um programa de gerenciamentos
de TI deve ser encarado como um projeto, com responsáveis por cada etapa,
prazos para implementação e recursos necessários. Para que você possa
implementar as práticas da ITIL é recomendável passar por um treinamento
como ITIL Manager. O treinamento de fundamentos não é o suficiente para
conduzir um projeto como este.
- Falhas de comunicação. A estrutura de departamentos dentro da TI pode dificultar o
trabalho em equipe e o fluxo de informações.
- Objetivos não alcançados: melhoria de qualidade, redução de
custo, satisfação do usuário, alinhamento de TI com a estratégia de negócio.
Muitos implementam a ITIL para alcançar estes objetivos, e quando não
obtém sucesso em pouco tempo acabam abandonando o uso da ITIL. O não-sucesso
do projeto pode estar associado à forma como a organização resolveu
implementar as práticas da ITIL. É preciso ter bom senso do que é
realmente necessário na organização. É importante saber adaptar as
práticas.
1.
Fundamentos
em
Gerenciamento de Serviços
de
TI
As necessidades dos clientes
devem ser entendidas pelo provedor de TI. Para atender a estas necessidades é necessário buscar e implementar
soluções e tecnologias disponíveis no mercado. É necessário ter pessoas que
implementem esta tecnologia, forneçam suporte aos usuários, negociem níveis de
serviços e mantenham a solução disponível. Para que as pessoas trabalhem de
forma eficiente e eficaz são necessários processos que digam como as atividades
devem ser executadas. Deverão também existir processos que controlem e
monitorem a entrega de serviços sempre com o mesmo padrão. Pessoas, processos e
tecnologia são os três elementos principais do Gerenciamento de Serviços de TI, e os três juntos fornecem serviços
que atendam às necessidades dos clientes.
Agrupando
as atividades em processos, seu controle se torna mais fácil, possibilitando a
criação de métricas para acompanhamento de performance. Os processos devem ser
bem definidos para buscar a eficiência e eficácia. Lembre-se: processos que não
são possíveis de monitorar através de indicadores não são viáveis. De nada vale se você não puder medir o
processo, ou seja, se não há controle sobre ele.
Por que adotar o Gerenciamento de Serviços?
É preciso levar em conta que os benefícios de um programa de
Gerenciamento de Serviços podem levar tempo para ser obtidos. Entretanto há
também benefícios
em
curto prazo. Vejamos
abaixo os principais benefícios para a
empresa ao implementar uma metodologia para o Gerenciamento de Serviços:
1)
Melhor qualidade no serviço, com um suporte mais
confiável.
2)
Segurança e confiança da continuidade dos serviços
de TI, aumentando a habilidade para restaurar os serviços quando houver
necessidade. Se sabemos que qualquer parada em um serviço gera perdas
financeiras, então ao conseguir uma maior disponibilidade dos serviços o
negócio deixará de perder dinheiro com as paradas de TI.
3)
Visão mais clara da capacidade atual de
fornecimento de serviços.
4)
Fornecimento de informações gerenciais para
acompanhamento de desempenho, possibilitando traçar melhorias.
5)
Equipe de TI mais motivada: conhecendo a carga de
trabalho é possível gerenciar melhor as expectativas.
6)
Maior satisfação dos clientes e usuários, com a TI entregando
serviços com mais qualidade e rapidez.
7)
[Em alguns casos] Redução de custos: a partir do melhor
planejamento e controle dos processos internos é possível otimizar os custos
operacionais.
8)
Maior agilidade e segurança para realizar as mudanças
propostas pelo negócio. Com processos definidos e controlados é mais fácil
implementar várias mudanças simultaneamente.
É definido como um conjunto de
componentes relacionados fornecidos para suporte a um ou mais processo de
negócios.
Exemplo:
- Um sistema de faturamento é fornecido usando uma
base Oracle e uma rede
- O serviço de e-mail utiliza recurso de rede,
servidor e link de internet
DICA: para não haver confusão
sobre o que é serviço e o que é recurso de TI, tenha em mente que serviço é
sempre com o que o usuário interage diretamente. O usuário usa um sistema, e
não um banco de dados. O banco de dados não pode ser considerado um serviço de
TI, mas sim um componente de um serviço.
Processo é um conjunto de
atividades inter-relacionadas com um objetivo especifico. Possui entradas de
dados, informações e produtos para, através da identificação dos recursos
necessários ao processo, transformar estas entradas nos objetivos previstos.
Vejamos a seguir a figura que ilustra a estrutura de um processo:
- Cada processo pode ser quebrado em uma série de
tarefas (ou atividades)
- Cada tarefa terá entradas e saídas
- Cada tarefa será executada por uma função (humana
ou executada por software)
- A execução das funções é controlada por regras
(definições de como deve ser)
- Cada processo tem que ter um proprietário - ele
define o processo em si
Dentro do cenário de Gerenciamento
de Serviços de TI temos cliente e usuário. Vejamos abaixo a principal diferença
entre eles.
CLIENTE: é aquele que normalmente paga pelos serviços de TI. Se a
TI for um departamento interno de uma organização, os clientes serão as
unidades de negócio da empresa, como por exemplo os departamentos de marketing,
financeiro, produção, etc. No caso de um prestador de serviços, os clientes são
as empresas atendidas.
USUÁRIO: pessoa que usa os serviços de TI no dia-dia. Um
departamento de contabilidade, por exemplo, poderá ter vários usuários dos
serviços de TI. É possível que um usuário seja um cliente. Mas é importante que
fique claro, neste conceito, que cliente é aquele que de alguma forma PAGA pelo
serviço.
Com
o cliente são negociados os níveis de serviços e são desenvolvidos novos
serviços. São os usuários ligam para a Central de Serviços (service-desk ou
help-desk) para solicitar ajuda ou reportar incidentes. É importante saber quem
são estas figuras dentro do seu cenário.
PROVEDOR
DE TI: fornece serviço de TI. Pode ser um departamento de TI
dentro de uma empresa ou uma empresa prestadora de serviços de TI.
Para que uma organização de TI possa
funcionar como um negócio dentro de um negócio, é preciso traçar uma visão que
inclua objetivos, metas e métricas. O Gerenciamento de Serviços deve ter um
programa de melhoria contínua. A cada ciclo devem ser traçados os objetivos que
se espera atingir em determinado prazo, avaliando continuamente os processos e
adaptando-os para obter a melhor eficiência e eficácia nos resultados.
Esta figura acima ilustra o ciclo
de melhoria contínua sugerido pela ITIL. Quando você for adotar a ITIL, você poderá
utilizar este ciclo. No primeiro momento se identificam quais são os objetivos
do negócio, o que o negócio precisa da TI para realizar suas estratégias. Com
base nisto, a TI deve organizar seus processos de suporte e de entrega. Em seguida se faz uma avaliação, conhecida
como ITIL assessment. Esta avaliação pode ser feita através de questionários
que apresentarão a situação atual de TI e os gaps (lacunas) entre o que está
sendo feito na prática e o que está sendo sugerido nos livros da ITIL. Na área
do aluno em nosso site você poderá baixar um modelo de questionários. Depois que você já conhece a sua realidade e
a distância desta para o que o modelo da ITIL sugere, você pode fazer um plano
de implementação de melhorias nos seus processos. Uma vez que este plano foi
implementado, é necessário avaliar se os processos desenhados estão gerando os
resultados previstos, se eles estão colaborando para a realização das
estratégias do negócio. Esta avaliação pode ser feita por meio de métricas
usando indicadores. A ITIL tem uma série de indicadores para cada processo.
Este ciclo pode se repetir várias vezes. A melhoria contínua, como o
próprio nome diz, é contínua. Continuamente você precisa verificar se os
processos estão gerando resultados, e sempre há algo a melhorar. Um processo
nunca chega ao nível OTIMIZADO, mas sim no nível OTIMIZANDO. A TI está sempre passando por inovações, e
estas inovações impactam os processos existentes. Por isto sempre haverá algo a
melhorar ou inovar em seus processos. Nada é estático para sempre.
A Central de Serviços, também conhecida em inglês como service-desk é uma função dentro da
TI que tem como objetivo ser o ponto único de contato entre os
usuários/clientes e o provedor de serviços de TI.
A proposta sugerida é separar, dentro das operações de TI, quem faz
parte do suporte aos usuários e quem vai realizar atividades de resolução de
problemas e desenvolvimento. Ter uma área específica para o suporte traz
vantagens para os usuários, propiciando um suporte com maior agilidade e
qualidade, e propiciando mais eficiência para a equipe de TI, pois o técnico
especialista acaba não sendo mais interrompido pelas chamadas diretas dos
usuários.
Não há nada mais aborrecedor do que você
ligar para um número de suporte e passar por várias pessoas e departamentos
para conseguir resolver o seu problema. Com a Central de Serviços haverá
pessoas focadas em resolver as solicitações dos usuários, evitando colocar os
usuários em contato direto com as equipes de suporte ou desenvolvimento.
Fonte: www.piada.com
Você certamente já conhece o funcionamento de uma help-desk. A Central
de Serviços é uma evolução deste conceito. Uma help desk tradicionalmente
atende problemas de hardware e softwares básicos, já a Central de Serviços
assume todas as solicitações dos usuários relacionadas a qualquer serviço
prestado pelo provedor de TI.
A implementação da Central de
Serviços tem como principais objetivos:
- Funcionar como o ponto central de contato (SPOC –
Single Point of Contact) entre os usuários e o provedor de TI. A Central
de Serviços funciona como o 1º. nível de suporte aos usuários, isto é, o
primeiro atendimento é feito pelo atendente de suporte que trabalha dentro
da Central de Serviços.
- Restaurar os serviços sempre que possível. A equipe
de suporte deve estar equipada com ferramentas e informações, tais como Erros
Conhecidos e base de conhecimento, para que possa oferecer soluções o mais
rápido possível.
- Prover suporte com qualidade para atender aos
objetivos do negócio. É necessário que a equipe esteja bem treinada para
ter conhecimento de todos os serviços que serão fornecidos e entender o
impacto que eles têm para o negócio.
- Gerenciar todos os incidentes até o seu
encerramento. A Central de Serviços será responsável pelo processo de
Gerenciamento de Incidentes, e será responsável pelo tratamento de todos
os incidentes. É importante esclarecer que o processo de Gerenciamento de
Incidentes inicia na Central de Serviços, mas um incidente pode ser
escalado para outras áreas da TI. Não é só a Central de Serviços que está
envolvida na resolução de um incidente. É de responsabilidade também da Central
de Serviços monitorar o cumprimento dos acordos estabelecidos nos ANSs (SLAs - Acordos de Nível de
Serviço).
- Dar suporte a mudanças, fornecendo comunicação aos
usuários sobre o agendamento de mudanças. A Central de Serviços é uma área
que pode executar pequenas mudanças ou mudanças-padrão que não têm risco
para o negócio. A própria Central de Serviços pode executar tudo aquilo
que já tem procedimentos escritos, que é rotineiro.
- Aumentar a satisfação do usuário, provendo suporte
com maior qualidade, estando sempre de prontidão para o atendimento,
buscando solucionar os incidentes de forma mais rápida.
- Maximizar a disponibilidade do serviço. Se houver
alguém focado em restaurar os serviços após o incidente, isto conseqüentemente
aumentará a disponibilidade do serviço.
A Central de Serviços não é um processo da ITIL - é uma função. É importantíssima esta
diferenciação entre o que é um processo e o que é uma função. Uma função é um
grupo ou uma área da empresa que executa determinadas atividades. A Central de
Serviços nada mais é do que uma área que reúne um grupo de atendentes com a
função de prestar suporte aos usuários.
O Gerenciamento de Serviços de TI
está criado em torno da entrega de níveis de serviços estabelecidos aos
usuários finais, e para isto é necessário ter uma área com o foco de:
- Dar suporte aos usuários à medida que eles requerem
ajuda para o uso dos serviços de TI.
- Monitorar o cumprimento dos níveis de serviços
estabelecidos nos ANSs. O Gerenciamento do Nível de Serviços é um
habilitador de negócio primordial para esta função.
A Central de Serviços tem várias
responsabilidades primárias. São elas:
- Receber e gravar TODAS as chamadas dos usuários
- Gravar e acompanhar incidentes e reclamações
- Prover uma avaliação inicial dos incidentes
- Monitorar/escalar incidentes por ANS
- Comunicar mudanças planejadas nos níveis de serviço
- Encerrar os incidentes com confirmação
- Manter os usuários informados sobre o progresso de
suas requisições
- Produzir relatórios de gerenciamento
- Coordenar os grupos de suporte de 2º e 3º níveis
- Prover informações gerenciais
- Identificar necessidades de treinamento dos usuários
- Contribuir na identificação de problemas
Controle de Incidentes
A Central de Serviços é
responsável por registrar todos os incidentes e controlá-los. A Central de
Serviços pode usar diferentes origens para registrar os incidentes:
- Telefone
- E-mail
- Internet
- Fax
- Visita pessoal
A Central de Serviços não está envolvida apenas com o
Gerenciamento de Incidentes. Atividades de outros processos podem ser
executadas também nesta função.
A equipe de suporte que fará
parte da Central de Serviços deverá ter algumas qualificações mínimas, como:
- Habilidades interpessoais - ser...
- Paciente
- Comunicativo
- Amigo
- Entusiasmado
- Assertivo
- Empático
- Honesto
- Entendimento dos serviços utilizados pelo negócio
- Conhecimento técnico necessário para fornecer o
suporte
Quanto ao conhecimento técnico
podemos ter 3 tipos de qualificação. A decisão pela escolha do nível dependerá
do tipo de suporte e dos clientes que serão atendidos:
- Skilled (hábil) – qualificado tecnicamente
- Unskilled – pouco conhecimento técnico
- Expert (perito) – especialista
Se o usuário que liga para a Central
de Serviços é um usuário mais experiente com necessidade de resolver questões
mais complexas, pode ser mais adequado utilizar uma equipe de atendentes
skilled ou experts.
Central de Atendimento (Call Center)
Voltada para grandes volumes de
chamadas e transações por telefone. Neste caso esta Central não atua sobre as
transações, e as encaminha para a área devida dentro da organização.
Central de Suporte (Help Desk)
O principal objetivo é que
nenhuma requisição seja perdida ou não atendida mesmo depois de cadastrada. Tem
também como função resolver e coordenar incidentes, propiciando a interface (ou
comunicação) com o Gerenciamento da Configuração.
Central de Serviços (Service Desk)
A característica principal é a
abrangência dos serviços, pois o processo de negócio neste caso está integrado,
não só resolvendo incidentes, mas também problemas e dúvidas e fazendo
interface com as requisições de mudanças.
Em geral as empresas preferem
manter centrais de atendimentos locais, ou seja, por regiões. Isso ocorre
devido ao regionalismo. Esta forma de atendimento gera um custo maior e dificuldade
de padronização.
Existem três possíveis formas de
realizar o atendimento:
- Local
- Centralizado
- Virtual
Vamos ver a seguir como cada uma
destas possibilidades funciona.
Central de Serviços Local
Centrais de Serviço Locais são
criadas para atender a necessidades locais de cada unidade de negócio. Este
tipo de estrutura é escolhido quando há necessidades especificas para cada
unidade de negócio, onde o atendimento é facilitado devido ao fato da equipe de
suporte já estar implantada no local. Normalmente neste tipo de estrutura o
custo operacional é maior, devido ao fato de manter várias estruturas físicas
com recursos como hardware e software específicos para cada uma.
Figura:
Central de Serviços Local
Este tipo de Central local é muito comum em empresas
multinacionais, onde cada planta (filial) tem uma estrutura de TI local, pois
cada filial tem a sua própria infra-estrutura de TI assim como sistemas próprios.
Central de Serviços Centralizada
Uma Central de Serviços
Centralizada tem como objetivo centralizar todas as solicitações de suporte em
um único local. Este modelo leva à redução de custos operacionais, melhora o
Gerenciamento de Serviços de TI e otimiza a utilização dos recursos.
Figura: Central de Serviços
Centralizada
Neste caso a
organização pode ter várias filiais, mas o suporte é centralizado na matriz.
Não existe o
melhor tipo de Central de Serviços - vai existir o melhor tipo para a sua
necessidade. Cada organização tem necessidades, serviços e complexidades
diferentes.
Central de Serviços Virtual
Com o avanço das tecnologias de
tele-comunicações é possível ter uma Central de Serviços sem nenhuma posição
física próxima ao usuário. Com isto é possível ter uma Central de Serviços que
funcione 24 horas por dia, atendendo a diversos clientes em diversos locais distintos.
Conforme apresentado na figura
acima, a organização poderia ter várias estruturas de TI em países diferentes.
Para que todas as filiais tenham suporte durante 24 horas, ao invés de
contratar pessoas para cobrir vários fusos horários, aproveita-se a estrutura
de suporte que está em outro país para que ela ofereça suporte às demais
filiais durante um fuso horário. Enquanto é noite em Sidnei, pode ser dia em
Washington, então utilizamos o que chamamos de “Follow the Sun”.
Esta estrutura virtual é muito
utilizada por empresas que têm filiais espalhadas pelo globo.
Em todo processo e função na ITIL
você vai ter papéis, não cargos. Isto significa que a ITIL sugere que alguém
desempenhe determinado papel em relação ao processo e função. No caso da Central de Serviço existe a figura
do Gerente da Central de Serviços. Dependendo da estrutura da organização,
acaba existindo uma pessoa que tem este cargo fixo.
Principais responsabilidades deste gerente:
- Responsável
pelo sucesso do suporte da Central de Serviços
- Acorda
interface com outras disciplinas do Gerenciamento de Serviços. Exemplo: Gerenciamento
da Configuração e Nível de Serviço
- Recruta
e treina a equipe
- Avalia
e compra ferramentas para a Central de Serviços (software)
- Garante
que todas as chamadas recebidas pela Central de Serviços serão prontamente
registradas
- Garante
que as requisições e consultas de clientes/usuários serão satisfeitas
dentro do tempo acordado nos ANSs
- Apóia
o Gerenciamento de Problema com a análise dos incidentes registrados para
determinar a causa-raiz dos problemas e mudanças necessárias através do Gerenciamento
de Mudanças, e reduzir incidentes que podem ser evitáveis
- Estar
presente no Comitê de Controle de Mudanças quando necessário
- Revisa
a função da Central de Serviços e faz recomendações de custos para
melhorias
Sendo um ponto único de contato
para o serviço de TI, a Central de Serviço deve ter um vínculo com todos os
processos da ITIL. Com alguns processos este vínculo é mais claro do que com
outros.
A Central de Serviços é, de fato,
um aspecto operacional importante do processo do Gerenciamento de Incidentes. A
Central de Serviços registra e controla os incidentes.
Os incidentes podem ser relacionados
aos Itens de Configuração. Se este vínculo for suportado por um software,
teremos condições de futuramente fazer todo o rastreamento de problemas
ocasionados com determinado equipamento na infra-estrutura.
Isto também permitirá à equipe da
Central de Serviços resolver rapidamente os incidentes buscando soluções
relacionadas ao Item de Configuração ou ao problema relacionado.
Em alguns casos a Central de Serviços realiza mudanças
pequenas e tem um vínculo com o Gerenciamento de Mudanças e com o Gerenciamento
de Liberações. A Central de Serviços poderá executar atividades como instalar softwares
e hardwares e também efetuar mudanças-padrão, como por exemplo realocar
fisicamente estações de trabalho (PCs),
configurar conexões de LAN, etc. É importante que estas atividades sejam
coordenadas pelo processo de Gerenciamento de Mudanças e Liberações.
O vínculo entre a Central de Serviços e o Gerenciamento do
Nível de Serviço pode ser ilustrado como o resultado da Central de Serviços
monitorando os níveis de suporte e reportando se o serviço de TI foi restaurado
dentro dos limites definidos nos Acordos de Nível de Serviços (ANSs). A Central
de Serviços reportará ao Gerenciamento do Nível de Serviços se os serviços não
estiverem restaurados dentro do prazo e se procedimentos de escalonamento não
estiverem corretamente definidos para alcançar os prazos determinados.
A implementação de uma Central de
Serviços poderá trazer vários benefícios para a TI e para o negócio:
- Aumento de
acessibilidade: ponto único de contato e suporte sempre disponíveis
- Produtividade:
a equipe de 2º nível não é interrompida por chamadas de usuários
- Redução de impacto:
rapidez na restauração dos serviços
- Disponibilidade do atendimento
- Percepção de qualidade e satisfação dos clientes
- Melhor trabalho em equipe
- Melhor comunicação:
a equipe da Central de Serviços terá habilidades para o relacionamento com
o usuário, e será focada em dar o feedback de suas solicitações
- Indicadores
para gestão e suporte à decisão
Não existe dúvida que a adoção da
Central de Serviços terá barreiras de sucesso. Algumas barreiras típicas que
poderão ocorrer:
1.
Usuários não ligarem para Central de Serviços,
mas tentarem buscar uma solução diretamente com uma pessoa que conhecem ou que ajudou
da última vez.
2.
A equipe técnica não estar preparada para
atender às necessidades do negócio ou dos usuários.
3.
Nem todas as partes estão informadas sobre os
serviços fornecidos e os níveis de serviços acordados, resultando em frustração
por parte dos usuários.
É importante usar indicadores de
controle para avaliar o desempenho da Central de Serviços. Dentro da ITIL os chamamos
de IPDs (Indicadores Principais de Desempenho, ou
em inglês KPIs
-
Key Performance Indicators).
Alguns IPDs propostos para esta
função:
·
Quantidade de chamadas atendidas
·
Quantidade
de incidentes resolvidos no 1º nível de suporte
·
Quantidade
de incidentes atendidos dentro do prazo
·
Quantidade
de incidentes resolvidos no primeiro contato por telefone
·
Status
de incidentes e problemas x Níveis acordados nos ANSs
·
Disponibilidades
dos serviços, brechas
·
Índice
de satisfação (através de formulários de pesquisa)
Vimos no capítulo anterior que a Central
de Serviços é uma função dentro do provedor de TI que tem como objetivo prestar
suporte aos usuários em relação ao uso dos serviços de TI. Iremos ver agora o processo
de Gerenciamento de Incidentes, que normalmente é executado pela Central de
Serviços, - mas isto não quer dizer que ele acontece apenas na Central de
Serviços.
Um Gerenciamento de Serviços de
TI está orientado à entrega de níveis de serviços com a qualidade e rapidez que
o negócio exige. Para isto é necessário ter um processo de tratamento de
incidentes eficaz e eficiente, capaz de monitorar os níveis de serviços, escalonando
os incidentes quando necessário.
Este é um dos processos mais
reativos, pois entrará em atuação a partir dos incidentes levantados por
usuários ou ferramentas de monitoramento. Entretanto este processo é vital para
manter a agilidade dos serviços de TI. É importante considerar também que as
informações dos incidentes levantadas neste processo serão de grande
importância para o processo de Gerenciamento de Problemas, pois incidentes
recorrentes precisam ser tratados.
O processo de Gerenciamento de
Incidentes tem como missão restaurar os serviços o mais rápido possível com o mínimo
de interrupção, minimizando os impactos negativos nas áreas de negócio.
O processo de Gerenciamento de
Incidentes tem como objetivos:
- Resolver os incidentes o mais rápido possível,
restabelecendo o serviço normal dentro do prazo acordado nos ANSs
- Manter a comunicação dos status dos incidentes aos
usuários
- Escalonar os incidentes para os grupos de
atendimento para que seja cumprido o prazo de resolução
- Fazer avaliação dos incidentes e sua possíveis
causas, informando ao processo de Gerenciamento de Problemas. Este
processo não é responsável por fazer o diagnóstico identificando a causa-raiz:
ele apenas auxiliará o processo de Gerenciamento de Problemas que tem este
foco
O escopo do Gerenciamento de Incidentes
é muito amplo e pode incluir aspectos que afetem os serviços ao cliente tais
como:
- Falha de hardware
- Erro de software
- Solicitações de informações
- Solicitação de mudança de equipamento
- Troca de senha
- Criação de perfil para novos funcionários
- Solicitação de suprimentos
- Problemas de desempenho
Perceba que na lista acima existem
alguns itens que não são incidentes, isto é, não são falhas ou anomalias no
serviço. Solicitação de suprimentos, criação de perfil para um novo usuário,
etc., é o que chamamos de solicitação de serviço. Na ITIL V2 este tipo de
solicitação também pode ser tratado por este processo. Já na ITIL V3 você vai
encontrar um processo para lidar especificamente com estas questões.
Dentro deste processo existem
alguns conceitos que devem ficar claros:
Incidente: qualquer evento
que não é parte padrão da operação de um serviço, que causa ou pode causar uma
interrupção ou redução da qualidade do serviço. Exemplo de incidente: a tela do
PC do usuário travou e ele não consegue mais digitar.
Requisição de Serviço: qualquer
solicitação/contato que não é uma falha na infra-estrutura de TI. Exemplo: solicitação
para criar um relatório ou executar uma rotina no sistema.
Problema: é quando a causa-raiz
de um ou mais incidentes é desconhecida. Exemplo: o computador do usuário sempre
trava quando ele executa determinada aplicação. Quando não se sabe o motivo
pelo qual o PC trava, isto pode ser considerado um problema.
Erro Conhecido: quando a
causa-raiz de um problema é conhecida e já se tem uma solução de contorno. Exemplo:
descobriu-se que o PC travava porque faltava memória para executar a aplicação.
Solução de Contorno (Workaround):
este é um método de contornar um incidente a partir de uma reparação
temporária. Exemplo: reiniciar o computador sempre que a aplicação travar e não
abrir mais de dois programas simultaneamente.
A figura abaixo mostra as
principais entradas e saídas deste processo:
Como em todo processo, existem entradas
e saídas. A entrada principal deste processo são os incidentes. Como mostrado
acima, os incidentes podem vir de muitas fontes como usuários, equipes de
operações, redes ou ferramentas de monitoramento que identificam
irregularidades nos serviços. Soluções de contornos podem ser buscadas a partir
de uma base de Erros Conhecidos, ajudando a resolver o incidente mais rápido. A
Base de Dados do Gerenciamento da Configuração (BDGC) auxiliará na
identificação do Item de Configuração relacionado ao incidente, incidentes
anteriores, mudanças já registradas, problemas abertos e o possível impacto e
itens relacionados ao incidente. Determinadas solicitações de usuários podem
necessitar de um Registro de Mudança, como por exemplo, uma nova regra de
negócio ou instalação de um novo componente.
As atividades do Gerenciamento de
Incidentes incluem:
·
Detecção de incidentes e registro
·
Classificação e suporte inicial
·
Investigação e diagnóstico
·
Resolução e restauração
·
Fechamento do incidente
·
Responsabilidade
pelo incidente, monitoração, acompanhamento e comunicação
Detecção de incidentes e
registro
Os incidentes na maioria das vezes são
oriundos de necessidades de suporte dos usuários. O contato com a Central de
Serviços poderá acontecer por telefone ou e-mail. Atualmente a maioria das organizações
está adotando sistemas web que permitem que o usuário abra um chamado de
suporte diretamente da intranet ou na internet, evitando gargalo para a central
telefônica e facilitando também a vida dos analistas de suporte que terão mais
tempo para resolver os incidentes ao invés de gastar o tempo no registro do
chamado via telefone.
É importante que todos os incidentes sejam
registrados, mesmo que resolvidos por telefone. O histórico de incidentes
registrados ajudará no processo de identificação de tendências de problemas e
também para a extração de informações gerenciais úteis. Se o incidente também
não for registrado, não teremos rastreabilidade. Se a mesma questão voltar a se
repetir com o usuário, pode ser verificado o que foi aplicado como solução de
contorno anteriormente.
Classificação
e suporte inicial
Os incidentes devem ser classificados de tal
forma que permitam a identificação de Erros Conhecidos e gerem informações
gerenciais que permitam a identificação dos tipos de incidentes mais
freqüentes.
Exemplos de classificação de incidentes:
·
Software
·
Microsoft
Office
·
Hardware
·
CD-ROM
·
Impressoras
A estrutura acima é apenas um exemplo e não
existe um padrão para classificação dos incidentes. Cada organização pode criar
as suas categorias e níveis de classificação.
É importante determinar o impacto e a urgência
de cada incidente para determinar a sua prioridade. A prioridade determina qual
será a ordem de execução para resolver os incidentes. Para determinar a
prioridade utilize como boa prática a combinação entre impacto e urgência do
incidente. O impacto será considerado quantas pessoas ou sistemas serão
prejudicados pelo incidente. Já a urgência determina a velocidade em que o incidente
precisa ser resolvido.
A tabela abaixo apresenta a combinação de impacto
x urgência. Esta combinação gera um número de prioridade, que vai de
1 a
5.
Impacto = criticidade para
o negócio
Urgência = velocidade
Para ajudar na identificação de
impacto e urgência pode ser que seja necessário envolver o cliente para obter
melhor entendimento sobre os serviços de TI que são utilizados e como as falhas
impactam os seus negócios.
A prioridade poderá ser utilizada
para determinar o prazo para resolução dos incidentes. Esta prioridade com
estes devidos tempos de atendimento podem ser estabelecidos em acordos com o
cliente. Não é uma decisão única da TI, será necessário saber do cliente qual é
o tempo máximo para recuperar o serviço evitando impacto no negócio.
A tabela abaixo apresenta um
exemplo de tempo para cada prioridade.
Prioridade |
Descrição |
Tempo para
atendimento |
1 |
Crítica |
1 hora |
2 |
Alta |
4 horas |
3 |
Média |
24 horas |
4 |
Baixa |
48 horas |
5 |
Planejada |
- |
Investigação
e diagnóstico
Uma vez registrado o incidente, a
atividade de investigação e de diagnóstico será iniciada. Se a Central de
Serviços não puder resolver um incidente, ele será encaminhado a outros níveis
de suporte que irão investigá-lo usando um conjunto de habilidades e
ferramentas disponíveis, tais como uma base de conhecimento de Erros Conhecidos.
É importante que todas as partes que trabalhem com os incidentes mantenham o
registro de suas ações, atualizando o registro do incidente. Estes outros
níveis de suporte podem ser outras áreas da organização, como departamentos de
infra-estrutura, desenvolvimento, etc.
Resolução
e restauração
Uma vez que uma solução de
contorno ou definitiva para o incidente é encontrada, esta será adotada. Se uma
mudança for necessária, uma RMD (Requisição de Mudança) será submetida ao
Gerenciamento de Mudanças. Você vai ver mais sobre abertura de RDMs no
Gerenciamento de Problemas.
Fechamento do incidente
A etapa de fechamento do
incidente inclui:
·
Atualização dos detalhes do registro de incidente
·
Comunicação ao usuário sobre a solução
Responsabilidade pelo incidente, monitoração,
acompanhamento e comunicação
É importante que durante todo o
ciclo de vida do incidente a Central de Serviços permaneça proprietária do
incidente, sendo ela responsável pelo seu fechamento. Desta forma teremos um
comprometimento maior da Central de Serviços para o cumprimento dos prazos,
escalonando o incidente para o grupo disponível quando necessário. Sendo assim,
sempre que o usuário entrar em contato com a Central de Serviços, terá uma
pronta resposta sobre a situação de suas chamadas. Não é conveniente que os
usuários tenham contato direto com os solucionadores finais do incidente, isto
fará com que os usuários comecem a manter o contato direto com eles e diminua a
produtividade dos mesmos.
O primeiro nível de suporte irá
ser feito pela Central de Serviços e inclui o registro, classificação, escalonamento
(encaminhamento do incidente), resolução e fechamento.
O segundo e terceiro níveis de
suporte são responsáveis pela investigação, diagnóstico e recuperação dos
incidentes. Quando a Central de Serviços não tiver capacidade de resolver o
incidente, ou não tiver tempo hábil, ela pode escalonar o incidente para o
próximo nível de suporte. Os grupos de segundo níveis terão conhecimento
técnico mais profundo sobre o assunto, e serão compostos por programadores, consultores,
analistas de negócio e administradores de rede. O grupo de terceiro nível
poderá ser formado pelos fornecedores de software ou hardware. O terceiro nível
pode ser um prestador de serviço externo. Obviamente estes níveis podem variar
dependendo do tamanho do provedor de TI.
Diferentes tipos de escalonamento
Os incidentes podem ter dois
tipos de escalonamento: funcional ou hierárquico. No tipo funcional os incidentes são escalonados para
grupos com conhecimentos mais específicos sobre o assunto. Veja na figura acima:
se o pessoal de operações não tiver conhecimento sobre a aplicação, o incidente
será escalonado para a equipe que cuida de aplicações. No tipo hierárquico o
incidente pode ser escalonado para um chefe ou gerente da Central de Serviços, quando
a situação exigir aprovação de custos ou maior poder de decisão. Muitas vezes é
necessário escalonar para cima devido ao poder de influência necessário dentro
da organização para que o incidente seja resolvido rapidamente.
Neste processo deve haver o Gerente
de Incidente, que na maioria das organizações é um papel
atribuído para o Gerente da Central de Serviços.
A função de Gerente de Incidente
inclui responsabilidades para:
§
Monitorar a eficiência e eficácia do processo
§
Controlar o trabalho dos grupos de suporte
§
Fazer recomendações para melhorias
§
Desenvolver e manter o sistema de Gerenciamento
de Incidente
§
Reportar à gerência de TI e outras áreas de
processo
Além deste
papel, deve haver a equipe que vai atuar na resolução de incidentes, incluindo
o grupo de atendentes da Central de Serviços e os grupos de suporte
apresentados anteriormente.
O Gerenciamento de Incidentes tem
um relacionamento muito próximo com os outros processos da ITIL. Alguns destes
relacionamentos são descritos aqui.
Gerenciamento da Configuração
Cada incidente está conectado com
um Item de Configuração (IC) armazenado no BDGC. Um incidente tipicamente irá
envolver mais de um IC. Exemplo: determinado incidente pode estar relacionado a
uma impressora que não imprime corretamente. Esta impressora é um IC associado
ao registro de incidente.
O BDGC fornece informações sobre os
ICs e os relacionamentos de dependência entre eles. Isto ajuda a determinar a
causa, a solução e o escalonamento de um incidente, rastreando as falhas
anteriores ao mesmo IC. Por exemplo, se um usuário não puder acessar a internet,
verificando os relacionamentos de dependência daquele PC irá se descobrir que
um hub utilizado pelo usuário para se conectar à rede é um IC potencial que
deve ser investigado.
Gerenciamento de Problemas
Para incidentes com causas não-conhecidas
abre-se um registro de problema para que o processo de Gerenciamento de Problemas
faça o diagnóstico da causa-raiz e desenvolva uma solução de contorno. Um
incidente nunca vira um problema. Na verdade, são dois registros separados.
Pode acontecer que os dois processos ocorram em paralelo.
Erros Conhecidos, soluções de
contorno e quick fixes (reparos rápidos) são fornecidos ao Gerenciamento de
Incidentes pelo Gerenciamento de Problemas. O Gerenciamento de Problemas é quem
alimenta a base de conhecimento com os Erros Conhecidos.
Gerenciamento de Mudanças
Este processo pode ser a causa
dos incidentes se uma mudança não foi executada corretamente. Conseqüentemente
é muito importante que o Gerenciamento de Incidentes saiba de todas as mudanças
planejadas - assim ele poderá relacionar os incidentes a uma mudança e
notificar o processo de Gerenciamento de Mudanças para que o processo de
retrocesso (back out) seja executado. De outra forma, alguns incidentes serão
resolvidos por meio de uma mudança, como por exemplo no caso de um equipamento
defeituoso ser substituído.
Um exemplo de mudança mal
sucedida: foi implementada no dia anterior uma nova versão corretiva para o
software XYZ. No dia seguinte, dois usuários reclamam àa Central de Serviços
que os dados históricos armazenados no software XYZ foram perdidos após a
implementação da mudança. Esta ligação será registrada como um incidente, mas
este incidente está relacionado a uma mudança.
Principais benefícios que a
implementação deste processo pode trazer:
·
Impacto reduzido dos incidentes (devido ao tempo
de resolução).
·
Suporte ao cumprimento dos ANSs.
·
Eliminação de incidentes perdidos, pois todos os
incidentes serão registrados e ninguém vai esquecer de atender um incidente.
·
Melhor utilização da equipe de suporte,
atingindo uma eficiência melhor. Serão utilizados níveis de suporte com
determinadas especialidades.
·
O BDGC será mais preciso: a cada incidente serão
verificados os dados dos ICs relacionados. O atendente verifica se as
características citadas pelo usuário em relação ao seu PC conferem com os
registros que estão no BDGC.
·
Exportação de dados para o Gerenciamento de
Problemas. O Gerenciamento de Problemas poderá realizar o diagnóstico com maior
rapidez se já tiver informações detalhadas do incidente.
·
Melhora a satisfação do usuário, porque existe
um acompanhamento de seus incidentes.
·
Falta de gestão ou comprometimento da equipe com
os incidentes
·
Falta de entendimento das necessidades do
negócio para identificar a prioridade dos incidentes
·
Falta de objetivos, metas e responsabilidades no
processo
·
Sem provisão de Acordos de Nível de Serviço com
clientes, o que pode gerar conflitos com o cliente na hora de decidir o que é prioritário
·
Falta de conhecimento técnico da equipe para resolver os incidentes
·
Falta de integração com outros processos de
gerenciamento de serviços
·
Falta de ferramentas para registrar os
incidentes
·
Resistência a mudanças da equipe em relação as
regras deste processo de gerenciamento de incidente
Principais indicadores para este
processo:
·
Número total de incidentes, por área de negócio,
departamento, natureza, etc.
·
Tempo médio entre falhas (MTBF)
·
Tempo médio para reparo (MTTR)
·
Número de incidentes resolvidos por operador
·
Redução do tempo médio de solução
·
Distribuição de solução entre os níveis de
suporte
·
Porcentagem de incidentes resolvidos com a base
de conhecimento
Bibliografia
BON, JAN VON. Foundations of IT Service Management based on ITIL.
Lunteren – Holanda: Van Haren Publishing, 2005.
Service Delivery. Londres – Inglaterra: The
Stationary Office, 2000.
Service Support. Londres – Inglaterra: The
Stationary Office, 2000.
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